17/07/2018

Enfermeira alagoana é destaque nacional em saúde e tecnologia

Alessandra Pontes foi convidada para falar sobre o tema em evento nacional de tecnologia que acontece em Maceió

Alessandra Pontes, enfermeira e empreendedora.

Alessandra Pontes é enfermeira. Há mais de 10 anos ela utiliza todo o seu conhecimento, adquirido na academia, como professora, e ao longo da sua vida profissional, para salvar vidas. O que ela não imaginava é que encontraria uma ferramenta que otimizaria ainda mais a sua profissão: a tecnologia.

Tudo começou quando Alessandra decidiu enveredar por caminhos até então desconhecidos, e entrou no mestrado da Ciência da Computação. O que parecia ser totalmente diferente do seu dia-a-dia, virou um grande aliado e a enfermeira soube agregar à saúde. Hoje tem reconhecimento nacional com três projetos que prometem oferecer soluções para a área da saúde, através da tecnologia.

O projeto mais atual de Alessandra é a startup Risk Life, que com a aplicação de jogos simulando a classificação de Risco do Sistema Manchester, auxilia no treinamento dos estudantes e até mesmo profissionais do curso de enfermagem e medicina.

“O aplicativo traz para os alunos de saúde uma visão prática, divertida e fundamentada no Protocolo Manchester. Criamos cenários realísticos para estimular e desenvolver a tomada de decisão”, afirmou Alessandra ao explicar que esse é o projeto para a dissertação final do seu mestrado.

Alessandra no evento da Microsoft.

O sucesso de seus projetos já levou a enfermeira a participar de eventos ao lado de personalidades como o CEO da Microsoft, SatyaNadella, e do ganhador do Nobel de 2006, Muhammad Yunus, Grameen Bank. Agora, Alessandra foi convidada para palestrar no maior evento sobre Ciência do Brasil, que esse ano acontece em Maceió.

Ela vai contar um pouco da sua história, projetos e, principalmente, mostrar a importância da tecnologia na saúde durante a 70ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre os dias 22 a 28 de julho, na Universidade Federal do Alagoas (UFAL). O evento, organizado pela SBPC, traz o tema “Ciência, Responsabilidade Social e Soberania”.

As palestras que serão apresentadas no evento são “Startup uma nova modalidade de empreendedorismo (Sebrae)”, dia 25, quarta-feira, às 11h, e “Desvendando o seu Perfil Comportamental para o Mundo Empreendedor (Sebrae)”, dia 26, às 15h.

O Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL) apóia e incentiva ações inovadoras como essas. Para o presidente do Coren-AL, Renné Costa, o empreendedorismo também pode ser um ramo da saúde. “Diversas áreas podem ser desenvolvidas pelo enfermeiro através de projetos estruturados que irão trazer ótimos resultados para índices de saúde, além do crescimento profissional”, afirmou Renné.

Outros Projetos de Alessandra

Em 2014, afastada do trabalho por motivos de saúde, Alessandra tinha que administrar um grande número de remédios e teve o insigth de criar a plataforma “Haviso”, que ajuda pacientes a administrar medicamentos de horários controlados.

O aplicativo e sua iniciativa se tornaram notícia no jornal espanhol com circulação no Brasil, o El País. Hoje o aplicativo está em período de adaptação, mas em breve será disponibilizado para o público novamente.

“Com base na dosagem e tempo de uso, o aplicativo identifica quando o remédio está para acabar e avisa o paciente com cinco dias de antecedência. O cliente tem a opção de comprar online uma nova caixa, retirá-la na farmácia ou recebê-la em casa. Essa é uma forma de garantir que, quando ele precisar, o remédio estará disponível”, explica Alessandra, que criou o aplicativo no período que descobriu um Câncer de Mama e precisava administrar o medicamento.

Hoje, já curada a enfermeira está terminando de criar a plataforma “Touch Brasil”, que através do ciclo menstrual da mulher, alerta o melhor momento e como fazer o auto-exame. Será lançada em outubro, mês de alerta ao Câncer de Mama.

“Fiz uma pesquisa e identifiquei que todas as mulheres sabem a importância do auto-exame, mas pouquíssimas fazem. Eu só venci a batalha que é essa doença porque descobri no início. Sou mulher, negra, latino-americana, nordestina e com mais de 40 anos, podia está fora de todas as estatísticas de tecnologia, mas quero me auto-afirmar, ser referência na minha área e mostrar que todas as mulheres podem e devem se cuidar, além de estimular ainda mais seus conhecimentos”, alertou Alessandra.




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