15/01/2019

Paciente perde 4 oportunidades de receber órgão transplantado

Coren-AL reforça campanha de conscientização de doação órgãos

Entre os mais de 400 alagoanos que estão na fila de espera para receber um órgão transplantado, está Ana Karolina Gama de Moraes de 29 anos. O caso de Ana tem sido notícia em Alagoas após ela perder quatro vezes a oportunidade de receber o órgão transplantado.

Há mais de um ano Ana foi diagnosticada com miocardiopatia periparto, uma disfunção grave que atinge o coração. Em janeiro, ela teve a oportunidade de receber quatro órgãos compatíveis, mas familiares dos pacientes que tiveram morte cerebral declarada, por motivos diversos, não quiseram realizar a doação.

De janeiro a agosto de 2018 em Alagoas aconteceram 85 transplantes, mas cerca de 400 pessoas ainda estão na fila de espera. De acordo com a enfermeira Eleonora Cardoso, coordenadora da Organização Procura de Órgãos (OPO), a taxa de recusa das famílias de um paciente diagnosticado com morte cerebral e apto à doação de órgãos ainda é muito grande, mas houve uma queda significativa.

“Em 2016 a recusa era de 75% e em 2017 foi de 40%, ao mesmo tempo o número de transplantes tem aumentado a cada ano. Pequenas vitórias que mostram como é importante o trabalho de formiguinha que é a conscientização”, afirmou.

Durante uma das Terças do Conhecimento de 2018, o Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL) falou sobre a importância do profissional da enfermagem no processo do transplante e reforçou a urgência de disseminar a conscientização entre os pacientes e familiares.

 

Caso de Ana Karolina

A prima de Ana Karolina Gama de Moraes, Alyne Moraes, explica que a paciente foi diagnosticada com a doença 48 horas após dar à luz a sua primeira filha. Ela relata ainda que o quadro da prima continua se agravando.

“Há alguns dias o quadro dela piorou muito, e então ela passou a ocupar uma das primeiras posições na fila de transplante, o que ocorre, infelizmente, quando o risco de morte se torna iminente”, afirma Alyne.

 

A enfermagem e o transplante

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) preconiza ao enfermeiro responsável pelo processo de doação de órgãos o planejamento, execução, coordenação, supervisão e avaliação dos procedimentos de enfermagem prestados ao doador, bem como, planejar e implementar ações que visem a otimização de doação e captação de órgãos e tecidos para fins de transplantes. Ao enfermeiro responsável pelo cuidado a candidatos e receptores de transplantes incumbe aplicar a sistematização da assistência de enfermagem, em todas as fases do processo de transplante de órgãos e tecidos ao receptor e família, que inclui o acompanhamento pré e pós-transplante (ambulatorial) e transplante (intra-hospitalar).

Em relação à atuação do enfermeiro, na prática profissional brasileira, destacam-se o enfermeiro clínico e o coordenador de transplante. O primeiro é responsável por promover os cuidados de enfermagem a candidatos e receptores, aos doadores de órgãos vivos e falecidos, e seus familiares ou cuidadores. O enfermeiro coordenador de transplante tem a função de gerenciar o programa de transplante, coordenando as diversas etapas que compõem o período perioperatório a longo prazo, além de promover o cuidado a candidatos e receptores quando necessário.

O enfermeiro clínico, para atuar no cuidado a esses pacientes, necessita obter conhecimentos e habilidades específicos, experiência clínica e estar em constante processo de educação, a fim de desenvolver pensamento crítico e habilidades para o processo de tomada de decisão. Dentre as atividades desenvolvidas por esse profissional destaca-se a avaliação, o diagnóstico, a identificação de resultados, o planejamento do cuidado, a implementação de intervenções e a avaliação de resultados voltados para a doação e o transplante de órgãos. O enfermeiro deve ter como base as ciências comportamentais, experiências com o processo de saúde-doença, patologia, fisiologia, psicopatologia, epidemiologia, doenças infecciosas, manifestações clínicas de doenças agudas e crônicas, emergências, eventos normais de saúde, e diagnosticar alterações de saúde.




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