15/09/2020

Pai e filho profissionais da enfermagem vencem a Covid-19 em Alagoas

Bruno Leão, de 28 anos, é enfermeiro e Fernando Leão, de 53 anos, é técnico em enfermagem e instrumentista. Ambos trabalham no Hospita ...

Pai e filho que lutaram juntos contra Covid-19

Desde o início da pandemia que os profissionais da enfermagem têm travado uma árdua batalha contra o novo coronavírus para tentar salvar o máximo de vidas. No meio a tanto esforço, as histórias se misturam, e a luta profissional pode se tornar, também, uma conquista pessoal. É o que aconteceu com a família de Bruno Henryque de Queiroz Leão, 28, enfermeiro e coordenador, junto à Gisele Lopes, do setor de internação Covid do Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca.

Bruno Leão relata que desde o início das ações do Estado para combater a pandemia ele foi chamado para a coordenação do setor e em maio, infelizmente, acabou contraindo a doença. “A partir do dia 16 começaram os meus sintomas. Eu decidi me isolar, conversei com meus pais sobre a situação”, explica.

O que o enfermeiro não esperava é que, alguns dias depois após o início dos sintomas, o seu pai também começou a apresentar sinais de que estava com a doença. Fernando Charles Ribeiro Leão, de 53 anos de idade, também trabalha na área da saúde. Ele é técnico em enfermagem e instrumentador do Centro Cirúrgico do Hospital de Emergência do Agreste.

“Para mim foi mais tranquilo, me tratei em casa, mas ele [Fernando Leão], com 6 dias da doença começou a apresentar sintomas graves, como a dispneia. Eu ainda tentei trata-lo em casa, com as medicações indicadas, acompanhando a situação com oxímetro. Porém chegou um momento que vimos que não era mais viável deixa-lo em casa, então decidimos levar ele para o hospital e eu fui me internar junto”, afirma Bruno Leão.

A partir daí foram 8 dias de luta, quando já estava melhor dividi o tempo entre as obrigações como coordenador e como filho. “Eu ficava sempre dentro do setor, ajudando a equipe nos momentos mais difíceis, quando era preciso realizar uma intubação de um paciente, mas eu sempre conversava com meu pai. Pedia para ele descansar, que eu precisava ajudar a equipe e logo retornava, e fiquei nessa situação durante oito dias, para restabelecer a saúde dele”, relembra o enfermeiro.

Bruno Leão relata que achou que o pai ia morrer, mas que aliado ao conhecimento técnico dele e da equipe responsável, eles conseguiram normalizar a situação. “A gente sabe que controlar a ansiedade é importante nesse momento, as coisas foram melhorando. Ajudando na alimentação e em tudo, para que ele não tivesse esforço e ir se recuperando aos poucos”.

Por fim, o enfermeiro e coordenador Bruno Leão agradece toda a assistência dada pelos profissionais da saúde, em especial da enfermagem, pela conquista em sua família. “Quando saímos tivemos uma recepção calorosa na Unidade de Emergência, por vencermos essa parte complicada”, finaliza.

DADOS DA ENFERMAGEM ALAGOAS – No dia 04 de setembro foram 1226 profissionais de enfermagem com suspeita ou infectados com Covid-19. Sendo 165 enfermeiros suspeitos, 153 confirmados, 4 óbitos. Já técnicos e auxiliares foram 554 suspeitos, 347 confirmados e 3 óbitos. A atualização do número de casos de profissionais com covid é feita quando uma instituição de saúde do Estado comunica novos casos ao Coren-AL. Os números, porém, ainda não refletem a atual situação vivida, pois o Conselho ainda aguarda os dados de instituições que ainda não responderam a solicitação.

O Coren-AL solicitou aos enfermeiros responsáveis técnicos de todas as instituições de saúde do Estado que comuniquem o caso de qualquer profissional afastado com suspeita, internado e/ou óbito confirmado por covid-19.




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