18/11/2021

Programa Enfermagem Solidária estuda novo formato

Com o objetivo de amenizar o sofrimento emocional dos profissionais

Foram cerca de 7 mil atendimentos aos profissionais da linha de frente da covid-19

Com o objetivo de amenizar o sofrimento emocional dos profissionais de Enfermagem que atuaram na linha de frente da covid–19, o Programa Enfermagem Solidária, do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), obteve êxito ao longo de 1 ano e oito meses de pandemia. O atendimento, via chat, que atendia cerca de 130 profissionais por dia,  por 24 horas, se despede nesta quinta (18/11), do formato original para seguir novo formato, ainda em estudo.

Enfermeiras e enfermeiros voluntários, doutores, mestres e especialistas em saúde mental formaram um grupo ativo para do programa no início da pandemia. “Somente um enfermeiro sabe o que outro enfermeiro passa, no dia a dia. Portanto, aqueles presentes na linha de frente receberam atendimento pelos mais indicados. Uma vivência importante para os dois lados. Todos se sentiram valorizados”, comenta a enfermeira Socorro Mota, membro da Comissão de Saúde Mental que prestou atendimento.

“Foram situações delicadas. A questão da falta de oxigênio no Amazonas, por exemplo, todo o desespero que nossos colegas enfrentaram, nós sofremos juntos. Recebemos depoimentos desesperados pela situação. Saímos mais fortes juntos”, explica a responsável pelo programa, a coordenadora da Comissão de Saúde Mental do Cofen, Dorisdaia Humerez. Segundo ela, os assuntos mais recorrentes eram sobre a falta de EPIs, exaustão pelo volume de trabalho, medo do risco de infectar familiares, assédio moral por parte das chefias, discriminação por parte da população (vizinhos e conhecidos), entre outros.

“Muitos entravam no chat e agradeciam o apoio emocional. Eles sentiam que não estavam sozinhos em um momento tão complicado. Viramos amigos de pessoas de todo o Brasil, mesmo sem ninguém se conhecer ao vivo. Nós, os ouvintes, nos transportávamos para a cena descrita, “conta o enfermeiro participante da comissão, Cícero Marcondes.

Um novo capítulo do programa – A pandemia desacelerou, a demanda das equipes de Enfermagem mudou, e o Enfermagem Solidária se encerra para dar espaço a um novo formato de atendimento. “Pretendemos continuar a oferecer acolhimento baseado na escuta empática à Enfermagem. No entanto, o formato original do programa, com escuta 24h online, sofrerá alterações”, explica Dorisdaia Humerez. Um E-book sobre atenção à saúde mental será lançado com informações do programa, além de uma edição especial da Revista Enfermagem em Foco.

Enfermagem Solidária – O programa teve início em 26 de março de 2020 com o objetivo de amenizar o sofrimento dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem das UTIs, prontos-socorros, unidades de pronto atendimento e demais serviços da linha de frente de enfrentamento à pandemia de Covid-19, todos inscritos no sistema Cofen/Corens.  Cada atendimento durava, em média, de 20 a 55 minutos. A maioria dos profissionais atendidos descreveram diminuição das tensões ao final de cada conversa.

A grande maioria dos profissionais que procuraram atendimento eram mulheres (85,84%). A categoria que mais acessou o serviço foi de técnicos de Enfermagem (51,20%); enfermeiros (39,65%) e auxiliares de Enfermagem (8,06%). O estado que mais demandou atendimento foi São Paulo, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. O horário de pico das chamadas foi entre 1h e 3h da madrugada.

Fonte: Ascom – Cofen