03/10/2018

Suicídio: Coren-AL leva tema para ser debatido entre a enfermagem

O tema da última Terça do Conhecimento foi discutido entre profissionais e estudantes

Ao mesmo tempo que a enfermagem tem que estar atenta aos sinais de depressão e ansiedade dos seus pacientes, a classe também precisa ficar em alerta ao ambiente de trabalho e à saúde mental do próprio profissional. Isso porque a enfermagem tem um alto índice de depressão.

O tema foi debatido entre profissionais e estudantes na Terça do Conhecimento, do dia 2 de outubro, no auditório do Hospital Portugal Ramalho. O projeto é iniciativa do Conselho Regional de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL). A enfermeira, residente em saúde mental, Mônica Santos Matos, palestrou sobre o assunto e alertou que o tema precisa debatido.

Segundo a conselheira Iris Vitorino, que fez a abertura do evento, o Conselho está atento a categoria e quer levar mais informação através da Terça do Conhecimento. “Estamos de portas abertas para receber os profissionais. O tema de hoje caiu como uma luva ser aqui no Hospital Portugal Ramalho, onde a enfermagem lida diretamente com pacientes de saúde mental”, garantiu Iris.

“Os números de suicídio estão aumentando, por isso é importante a iniciativa do Coren-AL de falar sobre o assunto com os profissionais da enfermagem”, afirmou Mônica. A enfermeira começou a palestra com uma dinâmica com bexigas amarelas e o depoimento dos participantes sobre momentos difíceis.

Dados

Estudos apontam que até 2020 a depressão vai ser a doença mais incapacitante do mundo. Segundo o Organização Mundial da Saúde (OMS), acontecem cerca de 30 suicídios diariamente no país, média de 1 morte a cada 45 minutos, são mais de 800 mil pessoas que tiram a vida por ano. O suicídio também é a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos.

Os números são superiores aos casos de HIV e de muitos tipos de câncer, por exemplo, o que torna o assunto uma questão de saúde pública. Em Alagoas, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, de 2015 a 2018, foram registrados 540 casos, 146 só na capital. Fora os casos de tentativas que muitas vezes são subnotificados nos hospitais.

Papel na enfermagem

São nos casos de internação que a enfermagem, através da assistência, pode contribuir na identificação e na vigilância aos sinais e sintomas da depressão e de fatores de risco para o suicídio. “É importante estar atento aos relatos e sempre registrar no protocolo de atendimento. A enfermagem tem que estar disposta a acolher, ouvir e ter empatia.”, afirmou.

Tanto a depressão quanto o suicídio resultam da interação de fatores biológicos, psicológicos, sociológicos e culturais, está ligado quase diretamente às relações interpessoais, sendo importante indicador da qualidade de vida das populações. Por isso, a preocupação com o ambiente de trabalho da enfermagem, de quem, geralmente, se espera o cuidado, mas também, por outro lado, pode necessitar ser cuidado.

“A enfermagem é uma profissão suscetível aos transtornos psíquicos, pelo fato de lidar cotidianamente com a vida, a dor e morte das pessoas sob seus cuidados e com as cobranças dos seus familiares. A depressão é uma das doenças que mais atinge seus profissionais e produz danos à capacidade laboral e vida pessoa”, alertou Mônica aos profissionais.

 

Confira a palestra completa aqui.




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