03/05/2018

Técnicos de enfermagem pedem apoio do Coren-AL sobre jornada de trabalho

Conselho luta pela valorização da categoria e apoia a causa

A reforma trabalhista, aprovada pelo Governo Federal em julho e em vigor desde novembro de 2017, já traz prejuízos para os trabalhadores, em especial aos profissionais da enfermagem. Em Alagoas, com base na reforma, os hospitais privados estão contratando os auxiliares e técnicos de enfermagem com jornada diurna duplicada.

Em busca de apoio do Conselho de Enfermagem de Alagoas (Coren-AL), uma comissão de técnicos e auxiliares de diversos hospitais estiveram com o presidente Renné Cosmo, na manhã desta quarta-feira (02). O Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem no Estado de Alagoas (Sateal) já levou o assuntou para discussão na Procuradoria do Trabalho, que aguarda um posicionamento dos hospitais, e a próxima audiência está marcada para 28 de maio.

Com a nova jornada, o tempo de trabalho dobrou de 6h para 12h, porém o período de descanso permaneceu o mesmo, de 36h. Pelos cálculos do Sindicato, auxiliares e técnicos de enfermagem atualmente trabalham em média 144 horas mensais e agora passarão a cumprir 190 horas por mês.

Uma sobrecarga que compromete o trabalhador, mas principalmente a qualidade do serviço prestado e, consequentemente, a segurança do paciente. Renné explicou que apesar de não ser função primária do Conselho, o Coren-AL está disposto a apoiar a categoria e acima de tudo buscar meios de valorizar os profissionais de enfermagem.

“Conseguimos duas formas de lutar em nome da nossa categoria: uma foi a criação do Comitê de Valorização dos Profissionais de Enfermagem, o outro é o Fórum que reúne as entidades da saúde, para que todos lutem e falem a mesma língua”, afirmou. Durante a reunião, ficou deliberado que um funcionário de cada hospital vai participar da próxima reunião do Fórum, para que junto dos sindicatos, consigam uma forma de pressionar os hospitais.

A conselheira Leidjane Melo reforçou que a saúde dos profissionais está prejudicada e a segurança do paciente comprometida. “Esse também é um assunto Coren-AL. Podemos mostrar por A+B porque as 12h é danosa para a sociedade”, afirmou.

Os técnicos também relataram o descaso dos hospitais que não cumprem o dimensionamento, sem local apropriado pra descanso, não fornece alimentação digna, além do desvio de função como papel de maqueiro.

O coordenador do Comitê de Valorização da Enfermagem e de apoio ao profissional na defesa dos direitos, prerrogativas e obrigações, bem como prevenção e acolhimento à vítima de violência, o enfermeiro também formado em Direito, Lucas Casado, também lembrou que a partir de agora os profissionais de enfermagem podem contar com o Coren para fazer denúncias de assédio moral.

O técnico de enfermagem, Maxuel Alencar, disse que se sentiu acolhido pelo Conselho. “Muito bom saber que o Coren-AL está em ativa junto com a classe, em luta dos nossos direitos e disposto a atuar de uma forma ativa”, destacou.

A principal luta, de acordo com o presidente do Coren-AL, deve ser a aprovação da lei de 30h para enfermagem. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a jornada de 30h semanais para a área da saúde. Longas jornadas estão associadas ao aumento de ocorrências adversas na Saúde e ao adoecimento dos profissionais.

Apesar da demora do Governo Federal na aprovação da Lei Federal, a medida já é realidade em capitais como São Paulo e Curitiba, além do estado do Rio de Janeiro com Leis municipais e estaduais. “Vamos cobrar dos deputados e aproveitar também a proximidade com as eleições para cobrar dos candidatos a aprovação da Lei das 30h para enfermagem em Alagoas”, enfatizou.

Também participaram da reunião a conselheira Eluciane Luz e a chefe de gabinete Deca Diniz.

 

 




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